
- Conferência da cadeia produtiva da palma de óleo no Brasil trará discussões sobre como destravar o setor para ampliar a produção nos próximos anos;
- Evento será realizado nos dias 17 e 18 de novembro, na Estação das Docas, em Belém;
- Reunirá palestrantes nacionais e internacionais.
Belém (PA), 2 de setembro de 2026 – A Abrapalma (Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma) promove, nos dias 17 e 18 de novembro, a Palmacon, Conferência da Cadeia Produtiva da Palma de Óleo, que discutirá formas de ampliar a produção nos próximos anos. Um dos principais focos é debater formas de o setor chegar a 1 milhão de hectares plantados, recuperando áreas degradadas por outros usos e já abandonadas. Atualmente são 283 mil hectares, com participação relevante da agricultura familiar.
O lançamento da Palmacon foi nesta quarta-feira (2 de setembro) durante o café da manhã realizado em Belém para jornalistas e representantes de entidades como Embrapa, Faepa e instituições de ensino e pesquisa. “Temos um grande
potencial de crescimento, contribuindo para recuperar áreas degradadas com o plantio da palma e gerando emprego e renda, especialmente para agricultores familiares do Estado. O Pará tem uma solução sustentável que precisa do apoio não só do governo estadual, mas também federal. Para isso, é muito importante que toda a população conheça o setor. A Palmacon é uma oportunidade de mostrar o que estamos fazendo e discutir caminhos para avançar ainda mais”, diz o presidente da Abrapalma, Victor Almeida.
Em sua segunda edição, a Palmacon reunirá produtores, pesquisadores, governo e investidores em dois dias de painéis, debates e conexões que impulsionam o desenvolvimento sustentável e tecnológico do setor no Brasil. Também contará com palestrantes internacionais, vindos especialmente da Colômbia e da Costa Rica. Será uma oportunidade de conexão direta entre os diversos interessados.
Além das tendências do mercado global, o evento vai discutir a certificação da cadeia, medidas de regularização fundiária que estão sendo adotadas em parceria entre Abrapalma e outras entidades, como o Iterpa (Instituto de Terras do Pará), e ações voltadas à inclusão produtiva de agricultores familiares.
A Abrapalma anunciou neste ano sua adesão à Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO), representando um avanço estratégico e reforçando o alinhamento do setor produtivo brasileiro às melhores práticas globais de governança. Durante a Palmacon, haverá a divulgação da condução do processo de interpretação nacional de princípios e critérios da entidade.
O chefe-geral da Embrapa Oriental, Walkymario de Paulo Lemos, destacou o potencial da palma na inclusão socioprodutiva. “Bioeconomia tem que ter um fator de renda. Hoje o principal problema no campo é geracional. Os jovens não querem permanecer no campo, mas se você os ensina a trabalhar com drone e inteligência artificial, eles ficam. Ou seja, a ciência, a tecnologia, o empreendedorismo transformam vidas. A palma promove isso e é interessante que a nossa sociedade conheça.”
Para a professora Natália Guarino Barbosa, da Universidade Federal Rural da Amazônia, a parceria com a ciência também é um fator de destaque. “Trabalhamos com a palma há praticamente 15 anos, desde a elaboração das primeiras instruções normativas. A preocupação do setor é fazer tudo com o apoio da ciência e sustentando o empreendedorismo social”, contou.
Conheça o setor – A cadeia da palma de óleo no Brasil reúne agroindústrias, produtores rurais e agricultores familiares, com a geração de mais de 20 mil empregos diretos. Nos últimos cinco anos, a área cultivada aumentou quase 30%, passando de 220 mil para 283 mil hectares, distribuídos em 40 municípios do Pará. Esses números são do levantamento realizado pela consultoria Agroportal, a pedido da Abrapalma, em 2025.
Parte relevante desse avanço se deu por meio da agricultura familiar, responsável por 14% do total, ocupando 39,1 mil hectares. São mais de 2 mil famílias beneficiadas. O agricultor familiar tem, em média, 10 hectares que produzem cerca de 250 toneladas por ano, com rendimento anual de R$ 200 mil. Por isso, a palma é uma importante fonte de renda, emprego e permanência das famílias no interior da Amazônia.
Entre os municípios no Estado, Tailândia lidera, com 68 mil hectares, seguida por Tomé-Açu e Moju, ambos com cerca de 47 mil, e Acará, com 34 mil. Juntos, os quatro concentram quase 70% da área cultivada no Estado.
Mesmo com a expansão da área plantada, ainda há perspectivas de crescimento da produção doméstica. Isso porque o país produz cerca de 700 mil toneladas de óleo de palma por ano, mas importa 300 mil toneladas.
Estimativas do setor apontam que a área plantada poderia triplicar em dez anos, chegando a cerca de 900 mil hectares. Isso exigiria investimentos próximos de R$ 18 bilhões e crédito de longo prazo. Além disso, essa expansão ocorreria aproveitando parte dos 7 milhões de hectares degradados considerados aptos ao cultivo. O Zoneamento Agroecológico da Palma impede a substituição de vegetação nativa.
A principal perspectiva de crescimento está no biodiesel, no diesel verde e no combustível sustentável de aviação. Atualmente, 10% da produção brasileira já é destinada ao biodiesel.
Com ciclo de até três décadas, a palma começa a produzir entre o terceiro e o quarto ano. Além do uso predominante na alimentação, seus óleos abastecem as indústrias química, de cosméticos e de biocombustíveis.
SERVIÇO
Palmacon: a conferência da palma de óleo no Brasil
Data: 17 e 18 de novembro, das 9h às 18h
Local: Estação das Docas, Belém
Programação: palmacon.com.br
Ingressos para interessados: Sympla